Ex-prefeito de Almenara – MG e empresários são condenados por fraude em licitação

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O ex-prefeito de Almenara, no Vale do Jequitinhonha, Carlos Luiz de Novaes, ex-servidores da prefeitura e o empresário Paulo de Carvalho Júnior foram condenados por atos de improbidade administrativa.  O juiz Guilherme Pimenta, da 2ª Vara Cível de Almenara, condenou o ex-prefeito e o os outros réus em decisão judicial, publicada nesta segunda-feira (19/02), onde ele destaca que a licitação para compra de medicamentos foi realizada com data retroativa para beneficiar a Drogaria São João (nome fantasia). 

Todos os condenados deverão devolver os valores correspondentes ao superfaturamento e aos itens comprados fora do edital, montante a ser calculado na fase de liquidação da sentença. O ex-prefeito Carlos Luiz de Novaes e o empresário Paulo de Carvalho Júnior tiveram os direitos políticos suspensos por seis anos, devem pagar multa (valores serão apurados) e foram proibidos de contratar com o Poder Público por cinco anos.

Membros da Comissão Permanente de Licitação, Gilberto Oliveira e Aloísio Vieira da Silva, o então procurador do Município, Euvaldo Fernandes das Neves, e os empresários Paulo de Carvalho Júnior, sócio-administrador da Drogaria Carvalho & Mares Ltda. (Drogaria São João), o representante comercial Lacerdino de Paula Moreira e a empresária Luciana Justus Batista Nogueira foram condenados à suspensão de direitos políticos por quatro anos e multa de R$ 10 mil cada.

Investigações

A investigação, conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), revelou fraude relacionada a uma inconsistência temporal nos documentos: a ata de julgamento da licitação registra que o certame ocorreu no dia 12 de abril de 2005, mas as propostas comerciais das empresas participantes foram emitidas apenas seis dias depois, dia 18.

O ex-prefeito alegou a necessidade de aquisição de medicamentos para atendimento à população carente e celebrou contrato no valor de R$ 35.449,97 com a Drogaria São João. Segundo o MP, houve participação “figurativa” de outras drogarias no certame licitatório.

“É física e logicamente impossível que a Comissão de Licitação tenha julgado propostas que só viriam a existir seis dias depois”, registrou o magistrado na sentença.

Além das datas divergentes, o juiz destacou que empresas concorrentes apresentaram propostas com erros ortográficos e formatação idênticos, indicando terem sido confeccionadas pelo mesmo grupo para simular uma disputa inexistente.

Fonte: O Tempo